A prática de leitura na escola Na atualidade muitas pesquisas informam que os jovens assim como as crianças estão lendo cada vez menos, e diversos são os motivos que os levam a isso, para algumas pessoas a culpam recaem sobre a televisão, outros acusam ao computador e ainda a má qualidade do ensino oferecido pelas escolas; há ainda aqueles que delegam à família o problema da falta de hábito da leitura. Nesse contexto, sabe-se que a escola é a principal instituição pela qual o aluno tem acesso à leitura, cabendo a ela usar das estratégias de leitura para contribuir de forma eficaz na aprendizagem e compreensão de diversos textos no que circulam na sociedade. É importante ressaltar que a aprendizagem da leitura está, tradicionalmente, relacionada ao processo de formação global do indivíduo, assim aprender a ler é um elemento indispensável para o convívio e atuação social, política, econômica e cultural, mas para uma aprendizagem afetiva é necessária que o conceito de leitura não se limite a decifração da escrita. Dessa forma, ao conquistar o ato de ler, o leitor estará ampliando seus conhecimentos, participando ativamente da vida social, alargando a visão de um mundo, do outro e de si mesmo, utilizando a leitura como um meio para questionar, refletir em suas práticas diárias. A leitura possibilitará ao leitor o desenvolvimento da criticidade, a construção dos seus próprios significados bem como transformar suas atitudes em sociedade. Por esta concepção de leitura o ato de ler é considerado como um processo de “construir significados” a partir do texto que se torna possível pela interação dos elementos textuais com o “conhecimento de mundo” do leitor. Quanto maior for à concordância entre eles maior a probabilidade do êxito na leitura, ou seja, a leitura quer um leitor ativo que compreenda o texto e reflita sobre ele. Conforme Martins (2005, p.33) “... Esse diálogo é referenciado por um tempo e um espaço, uma situação, desenvolvida de acordo com os desafios e as respostas que o objeto apresenta em função de expectativas e necessidades do prazer das descobertas e do reconhecimento de vivência do leitor.” (Martins, 2005 p.33). Portanto, a leitura vai além do texto e começa antes do contato do leitor com o mesmo, baseando-se na estrutura de conhecimento de cada um e influenciado por fatores externos, seja familiar ou do social. Pois conforme Maria Helena Martins 2005, p.33 “dar sentido a um texto implica sempre levar em conta a situação desse texto e do seu leitor.”. Considerando que a leitura é um processo de interação entre outor-texto-leitor, o texto é o objeto mediador que tem algo a dizer, e os conhecimentos prévios do leitor são fatores indispensáveis para facilitar maior interação entre autor e leitor. Quando o leitor faz uma leitura superficial do texto, ele captará apenas a mensagem do autor não há necessidade de haver uma interação entre os seus conhecimentos prévios e as ideias apresentadas pelo autor no texto, pois o objetivo dessa leitura é compreender a mensagem do autor. Com relação à leitura, na qual o leitor apenas decodifica a mensagem do texto e necessário, que o leitor conheça os códigos utilizados, seja capaz de reconhecer os sentido das palavras e a estrutura do texto. Nessa concepção de leitura cabe ao leitor reconhecer e decifrar o texto lido. Distinguindo das concepções anteriores nesta concepção em que há interação entre autor-texto-leitor, a leitura requer do leitor além dos seus conhecimentos linguísticos, seus conhecimentos textuais, seus conhecimentos de mundo, os quais devem ser ativados durante a leitura, a fim de proporcionar uma melhor compreensão e interpretação de texto; que o leitor também, seja capaz de interagir com as ideias abordadas pelo autor e construir sentido. “... a leitura é uma forma exemplar de aprendizagem. Estudos psicológicos revelaram que o aprimoramento da capacidade de ler também redunda no da capacidade aprender como um todo, indo muito além da mera recepção. A boa leitura é uma confrontação crítica com o texto e com as idéias do autor. Num nível mais elevado e com textos mais longos tornam-se mais significativos à compreensão das relações da construção ou da estrutura e a interpretação do contexto. Quando se estabelece a relação entre o novo texto e as concepções já existentes, a leitura crítica tende a evoluir para a criativa, e síntese conduzirá resultados completamente novos”. (Bamberger, 2006 p.10) Por essa concepção de leitura, é compreendida como uma atividade de interação autor-texto-leitor, que deve ser levado em consideração não só o conteúdo do texto, mas também os conhecimentos de mundo que o leitor possui, os quais são indispensáveis para possibilitar uma a maior interação entre leitor-autor-texto. Segundo Paulo Freire, a leitura de mundo sempre antecede a leitura da palavra, e a leitura desta origina da continuidade da leitura de mundo, ou seja, dar ao leitor a oportunidade de transformá-lo através de nossa prática consciente. Portanto, é importante frisar que o papel da escola na formação do leitor; leitor, não se restrinja a mera decodificação e/ou reprodução dos textos do livro didático trabalhados em sala de aula, mas a de formar leitores motivados pelo que lê, e que seja capaz de produzir sentidos dialogar com diferentes tipos e gêneros textuais, fazer inferências compreender a mensagem do autor e principalmente que sejam estimulados a práticas de atitudes que levem a um interesse permanente pela leitura de muitos gêneros para diversos fins.
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